24 de julho de 2026

Endometriose: sintomas, causas e opções de tratamento

Endometriose: sintomas, causas e opções de tratamento

Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir cólicas fortes durante a menstruação é algo "normal". Embora algum desconforto seja esperado nesse período, dores intensas, incapacitantes ou que interferem na rotina podem ser um sinal de endometriose, uma doença ginecológica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva.

Além das cólicas, a endometriose pode provocar dor durante as relações sexuais, dificuldade para engravidar e alterações intestinais ou urinárias, especialmente durante o período menstrual. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.

Neste artigo, você vai entender o que é a endometriose, quais são seus principais sintomas, como ela é diagnosticada e quais tratamentos estão disponíveis.

Quando a cólica menstrual merece atenção?

Sentir um leve desconforto durante a menstruação é comum. O que merece investigação é quando a dor passa a limitar atividades simples do dia a dia, como trabalhar, estudar ou praticar exercícios.

Se todos os meses você precisa faltar aos compromissos, usar medicamentos com frequência ou permanecer deitada por causa da intensidade da cólica, vale conversar com um ginecologista.

Outro sinal importante é quando a dor piora ao longo dos anos, em vez de diminuir.

O que é a endometriose?

A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — cresce fora da cavidade uterina.

Esses focos podem se desenvolver nos ovários, trompas, peritônio, intestino, bexiga e, mais raramente, em outras regiões do corpo.

Assim como o endométrio, esse tecido responde às alterações hormonais do ciclo menstrual. Com isso, ele inflama e pode causar dor, formação de cicatrizes e aderências entre os órgãos da pelve.

Embora a doença seja frequente, muitas mulheres levam anos até receber o diagnóstico, principalmente porque seus sintomas costumam ser confundidos com cólicas menstruais intensas.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas variam bastante de uma mulher para outra. Algumas apresentam dores intensas, enquanto outras descobrem a doença apenas durante a investigação da infertilidade.

Os sinais mais comuns incluem:

  • cólica menstrual intensa;

  • dor pélvica fora do período menstrual;

  • dor durante ou após as relações sexuais;

  • dor para evacuar, principalmente durante a menstruação;

  • dor ou desconforto ao urinar durante o ciclo menstrual;

  • fluxo menstrual intenso ou irregular;

  • dificuldade para engravidar;

  • sensação de inchaço abdominal.

A intensidade da dor nem sempre está relacionada ao tamanho das lesões. Mulheres com pequenos focos podem sentir dores importantes, enquanto outras com doença extensa podem apresentar poucos sintomas.

Por que a endometriose acontece?

A causa exata da endometriose ainda não é totalmente conhecida. Os pesquisadores acreditam que diferentes fatores possam contribuir para o desenvolvimento da doença.

Entre eles estão:

  • predisposição genética;

  • alterações hormonais;

  • resposta do sistema imunológico;

  • fatores ambientais.

A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada, em que parte do sangue menstrual retorna pelas trompas em direção à cavidade pélvica. No entanto, como esse fenômeno também ocorre em muitas mulheres que nunca desenvolvem endometriose, acredita-se que outros fatores também participem do processo.

Quem tem maior risco de desenvolver endometriose?

Algumas características estão associadas a uma maior probabilidade de desenvolver a doença, como:

  • histórico familiar de endometriose;

  • início precoce da menstruação;

  • ciclos menstruais curtos;

  • fluxo menstrual intenso;

  • nunca ter engravidado.

Esses fatores não significam que a doença irá necessariamente surgir, mas indicam maior necessidade de atenção aos sintomas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela consulta com o ginecologista. Durante a avaliação, o médico conversa sobre os sintomas, investiga o histórico menstrual e realiza o exame físico quando necessário.

Dependendo do caso, podem ser solicitados exames de imagem para identificar os focos da doença e avaliar sua extensão.

Os exames mais utilizados incluem:

Nem todas as pacientes precisam realizar todos esses exames. A escolha depende dos sintomas e da suspeita clínica.

A endometriose pode causar infertilidade?

Sim.

A endometriose pode dificultar a gravidez em algumas mulheres, principalmente quando provoca alterações nas trompas, ovários ou formação de aderências na pelve.

Isso não significa que toda mulher com endometriose será infértil. Muitas conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras podem precisar de acompanhamento especializado ou de técnicas de reprodução assistida.

Por isso, mulheres com diagnóstico de endometriose que desejam engravidar devem conversar com o ginecologista para definir a melhor estratégia de tratamento.

Como é feito o tratamento?

O tratamento é individualizado e leva em consideração fatores como idade, intensidade dos sintomas, localização da doença e desejo de engravidar.

Em muitos casos, o controle da dor pode ser feito com medicamentos analgésicos e terapias hormonais que reduzem a atividade dos focos de endometriose.

Quando os sintomas são intensos, existem lesões profundas ou o tratamento clínico não apresenta os resultados esperados, a cirurgia pode ser indicada para remover os focos da doença e restaurar a anatomia da pelve.

O acompanhamento médico também é importante para monitorar a evolução da doença e ajustar o tratamento sempre que necessário.

A endometriose tem cura?

Atualmente, não existe uma cura definitiva para a endometriose.

No entanto, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas, reduzir a progressão da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de controlar a doença e evitar complicações.

Quando procurar um ginecologista?

É importante procurar avaliação médica sempre que:

  • as cólicas impedirem suas atividades do dia a dia;

  • houver dor durante as relações sexuais;

  • ocorrer dor frequente para evacuar ou urinar durante a menstruação;

  • você estiver tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso (ou seis meses, dependendo da idade e de fatores individuais);

  • os sintomas piorarem progressivamente ao longo dos meses.

Buscar atendimento logo nos primeiros sinais ajuda a reduzir o tempo até o diagnóstico e permite iniciar o tratamento mais adequado.

Perguntas frequentes

Toda cólica forte significa endometriose?

Não. Cólicas intensas podem estar relacionadas a diferentes condições ginecológicas. Somente uma avaliação médica pode identificar a causa da dor.

Endometriose pode voltar após o tratamento?

Sim. Dependendo do tipo de tratamento e das características da doença, os sintomas podem reaparecer ao longo do tempo, tornando necessário novo acompanhamento.

Quem tem endometriose sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitas mulheres conseguem controlar a doença apenas com tratamento clínico. A cirurgia é indicada em situações específicas.

É possível engravidar tendo endometriose?

Sim. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Quando há dificuldade para engravidar, existem diferentes opções terapêuticas que podem ser avaliadas pelo especialista.

Cuidar da dor também é cuidar da saúde

Conviver com dores intensas durante a menstruação não deve ser encarado como algo normal. Quando os sintomas interferem na rotina, persistem por meses ou vêm acompanhados de dificuldade para engravidar, procurar avaliação ginecológica é um passo importante.

O diagnóstico precoce da endometriose permite iniciar o tratamento no momento adequado, aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida.


Referências científicas

  • Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE).

    Endometriosis Guideline. 2022.

  • Ministério da Saúde.

    Endometriose: informações para profissionais e população.

  • Zondervan KT, et al. Endometriosis Nature Reviews Disease Primers. 2018.

  • Becker CM, et al. ESHRE guideline: Endometriosis Human Reproduction Open. 2022.

  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Recomendações sobre diagnóstico e tratamento da endometriose.

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