
O que é a cirurgia de vesícula
A cirurgia de vesícula, conhecida tecnicamente como colecistectomia, é a remoção da vesícula biliar, o órgão que armazena a bile produzida pelo fígado. É uma das cirurgias mais feitas no mundo, indicada principalmente para tratar pedras na vesícula que estão causando sintomas.
Existem duas formas de fazer essa cirurgia:
Por vídeo (videolaparoscopia)
Feita por pequenas incisões no abdômen, com câmera e instrumentos finos. É a técnica mais usada hoje, porque a recuperação é mais rápida e o tempo de internação é menor.
Aberta
Feita por um corte maior, reservada para casos mais complicados ou quando a cirurgia por vídeo não é segura naquele momento.
Quando a cirurgia é indicada
Ter pedra na vesícula não significa, necessariamente, que você precisa operar. A maioria das pessoas não sente nada, e o risco de desenvolver sintomas no ano é baixo, cerca de 2%. A cirurgia costuma ser indicada quando:
Você sente dor recorrente
Geralmente do lado direito da barriga ou na boca do estômago, principalmente depois de comidas gordurosas. Essa é a razão mais comum para indicar a cirurgia.
A vesícula está inflamada
(colecistite aguda), geralmente por uma pedra que entupiu a saída da vesícula. Nesses casos, a cirurgia deve ser feita rápido, de preferência entre 1 e 3 dias após o diagnóstico, junto com antibióticos. Operar cedo reduz bastante o risco de complicações e o tempo de internação.
Há obstrução ou infecção nas vias biliares
O que também exige tratamento urgente.
Há inflamação no pâncreas causada por pedra na vesícula
Situações especiais
Gestantes (a cirurgia pode e deve ser feita em qualquer fase da gravidez, quando necessária, com menor risco para mãe e bebê), pólipos de risco na vesícula, vesícula endurecida, pedras muito grandes ou risco aumentado de câncer de vesícula.
Em pessoas com mais de 65 anos, operar por vídeo está relacionado a mais chance de sobrevida em 2 anos do que não operar.
Se você sente dor recorrente após as refeições ou já teve uma crise, o ideal é buscar avaliação médica. A Cirurgia Geral do Hospital e Maternidade Santa Cecília conta com equipe especializada para diagnosticar o problema e indicar o melhor tratamento para o seu caso.
Como funciona a decisão sobre operar ou não
De forma resumida, é assim que o médico avalia o caso:
A pessoa tem sintomas de pedra na vesícula?
Sim → o médico trata a dor com analgésicos e avalia se há complicações.
Há complicações
(inflamação, infecção nas vias biliares ou pancreatite) → a cirurgia por vídeo é indicada, muitas vezes com urgência.
Não há complicações → confirma-se o diagnóstico de cólica biliar e avalia-se se a pessoa pode operar.
Pode operar
→ cirurgia por vídeo é agendada.
Não pode operar
→ se a pedra for pequena e do tipo certo, pode-se tentar dissolver com remédio; caso contrário, o acompanhamento é feito sem cirurgia, ajustando os riscos até que a cirurgia se torne possível.
Não tem sintomas → o médico avalia outros fatores de risco (histórico de doenças do sangue, pedra muito grande, entre outros).
Presentes
→ a cirurgia por vídeo pode ser considerada mesmo sem sintomas.
Ausentes
→ não é preciso operar; o paciente é orientado sobre o baixo risco de a situação piorar.
Como é a recuperação
Depois da cirurgia por vídeo sem complicações, a maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia, podendo ficar internada uma noite em caso de dor forte ou náusea.
A recuperação costuma ser tranquila:
A alimentação volta aos poucos, começando por líquidos e evoluindo para sólidos já nas primeiras 24 horas, sem restrição definitiva de alimentos.
É recomendado evitar pegar peso e fazer esforço físico intenso por 4 a 6 semanas.
A maioria das pessoas volta à rotina em 1 a 2 semanas.
O retorno ao médico costuma acontecer entre 2 e 3 semanas depois da cirurgia.
Fezes mais amolecidas podem acontecer nas primeiras semanas e tendem a melhorar sozinhas.
Riscos e complicações
Em alguns casos (5% a 10%), a cirurgia que começa por vídeo precisa ser convertida para aberta durante o procedimento. Isso não é uma complicação, é uma decisão de segurança do cirurgião. As complicações possíveis, mas pouco frequentes, incluem:
Sangramento
Vazamento de bile
Lesão no canal biliar (mais rara, porém mais séria)
Infecção no local da cirurgia
Pedra que fica retida
Sintomas digestivos depois da cirurgia (dor, gases, diarreia), que costumam melhorar com o tempo
Um levantamento recente com mais de 500 mil pacientes mostrou que as complicações após a cirurgia por vídeo vêm caindo nos últimos anos, graças a avanços na técnica cirúrgica e no cuidado com a qualidade do atendimento.
Quando a cirurgia não é indicada
Se a pedra não causa sintomas, geralmente não é preciso operar, já que o risco de complicação é baixo. Existe também um tratamento não cirúrgico para dissolver a pedra por remédio, mas funciona pouco e é usado só quando a cirurgia não é uma opção.
Está com dor, suspeita de pedra na vesícula ou já recebeu esse diagnóstico? Agende uma consulta com a equipe de Cirurgia Geral do Hospital e Maternidade Santa Cecília e tenha um diagnóstico preciso e o tratamento mais indicado para o seu caso.
Referências:
1. Gallstone Disease: Common Questions and Answers. American Family Physician. 2024. Patel H, Jepsen J.
2. Surgical and Nonsurgical Management of Gallstones. American Family Physician. 2014. Abraham S, Rivero HG, Erlikh IV, Griffith LF, Kondamudi VK.
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4. Contemporary Outcomes of Cholecystectomy. JAMA Surgery. 2026. Mullens CL, Sinamo JK, Hallway A, et al.
5. ACG Clinical Guideline: Perioperative Risk Assessment and Management in Patients With Cirrhosis. The American Journal of Gastroenterology. 2025. Mahmud N, Fricker ZP, McElroy LM, et al.