11 de agosto de 2026

Videolaparoscopia: o que é, como funciona e quando é indicada

Videolaparoscopia: o que é, como funciona e quando é indicada

O que é videolaparoscopia e como funciona

A videolaparoscopia é uma cirurgia feita por incisões (cortes pequenos) na barriga, em vez de um corte grande como na cirurgia tradicional. Por uma dessas incisões, geralmente perto do umbigo, o médico introduz uma câmera, que mostra o interior do abdômen ampliado em um monitor, em tempo real.

Antes de começar, o abdômen é inflado com um gás específico para o procedimento, criando espaço para que o cirurgião trabalhe. Pelas outras incisões, bem pequenas, entram os instrumentos cirúrgicos, que o médico controla olhando o monitor. Assim, dá pra operar sem precisar de um corte grande.

Vantagens em relação à cirurgia aberta

Comparada com a cirurgia tradicional, a videolaparoscopia costuma trazer:

  • Menos dor depois da cirurgia

  • Menos perda de sangue

  • Internação mais curta

  • Recuperação mais rápida

  • Cicatriz bem menor

  • Custo total mais baixo, em muitos casos

Isso acontece porque o corte é bem menor; assim, a resposta à cicatrização é mais rápida e menos intensa, diminui o risco de infecção na ferida e faz a pessoa voltar mais rápido à rotina e ao trabalho.

Quais cirurgias podem ser feitas por vídeo

Hoje, a videolaparoscopia é considerada a melhor forma de operar em vários casos, como:

  • Retirada da vesícula biliar

  • Retirada do apêndice: inclusive em casos de apendicite aguda

  • Cirurgias ginecológicas: como retirada do útero, tratamento de endometriose, cistos no ovário e investigação de infertilidade ou dor pélvica

  • Cirurgias no intestino: incluindo remoção de tumores no cólon

  • Algumas cirurgias oncológicas: em casos específicos de estômago e pâncreas

  • Cirurgias de parede abdominal: correções de hérnias

Em cirurgias de urgência, a técnica por vídeo costuma ser mais difícil de aplicar, principalmente quando há alterações sanguíneas no paciente ou aderências (tecidos grudados) extensas. Quando há alterações hemodinâmicas (alterações sanguíneas), a cirurgia por vídeo é contraindicada.

Recuperação e cuidados depois da cirurgia

A recuperação costuma ser bem mais rápida do que na cirurgia aberta. Os protocolos modernos recomendam:

  • Começar a se alimentar e a se movimentar ainda no dia da cirurgia, quando possível

  • Controlar a dor com analgésicos e anti-inflamatórios, deixando os remédios mais fortes (opioides) só para quando a dor não melhora com o resto

  • Retirar sondas e cateteres o quanto antes, muitas vezes ainda no mesmo dia

  • Diminui os riscos de trombose, pois o paciente consegue iniciar a sua movimentação mais cedo

Para receber alta com segurança, o paciente geralmente precisa atender a critérios definidos pelo médico responsável para, então, voltar para casa o quanto antes.

Riscos e quando não é indicada

Mesmo com todas as vantagens, a videolaparoscopia também tem riscos, embora não sejam comuns:

  • Lesões em vasos sanguíneos, intestino ou vias urinárias, principalmente na hora de introduzir os instrumentos

  • Embolia gasosa, rara, mas com possibilidade de acontecer

  • Dor no ombro, causada pelo gás que sobra no abdômen, um desconforto comum, mas não grave

  • Alterações na pressão, na respiração e no funcionamento do coração causadas pelo gás usado na cirurgia.

Algumas situações pedem mais cautela, como hérnias abdominais grandes ou certas doenças clínicas graves. Já quadros de infecção espalhada pelo abdômen ou obstrução intestinal grave com sangramento costumam ser vistos como contraindicações mais sérias, mas a decisão final sempre depende da avaliação do cirurgião, caso a caso.

Referências:

1. Laparoscopic Versus Open Gastrectomy for Gastric Cancer. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2016. Best LM, Mughal M, Gurusamy KS.

2. Laparoscopic Versus Open Distal Pancreatectomy for Pancreatic Cancer. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2016. Riviere D, Gurusamy KS, Kooby DA, et al.

3. Single-Incision Versus Conventional Multi-Incision Laparoscopic Appendicectomy for Suspected Uncomplicated Appendicitis. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2025. Irfan A, Rao A, Ahmed I.

4. Advances in Laparoscopy for Acute Care Surgery and Trauma. World Journal of Gastroenterology. 2016. Mandrioli M, Inaba K, Piccinini A, et al.

5. Indications, Contraindications and Complications of Laparoscopy. Obstetrical & Gynecological Survey. 1975. Loffer FD, Pent D.

6. Complications of Laparoscopic Pelvic Surgery: Recognition, Management and Prevention. Human Reproduction Update. 1998. Li TC, Saravelos H, Richmond M, Cooke ID.

7. Laparoscopic Entry Techniques. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2019. Ahmad G, Baker J, Finnerty J, Phillips K, Watson A.

8. Cardiovascular and Ventilatory Consequences of Laparoscopic Surgery. Circulation. 2017. Atkinson TM, Giraud GD, Togioka BM, Jones DB, Cigarroa JE.

9. Assessing Criteria for a Safe Early Discharge After Laparoscopic Colorectal Surgery. JAMA Surgery. 2022. Tavernier C, Flaris AN, Passot G, et al.

10. Enhanced Recovery after Surgery — Evidence and Practice. NEJM Evidence. 2025. Elias KM, Brindle ME, Nelson G.

Revisão técnica

Dra. Allana Paula, cirurgiã geral
CRM/RO 4922 · RQE 2253

Última revisão em 14/08/2026

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